Grande Rota da Graciosa 2025 - "A redescoberta do património graciosense"
Os Açores oferecem aos seus visitantes um paraíso de natureza intocada que combina a paisagem marcadamente vulcânica com um rico e vasto património natural, condições que convidam a um turismo de experiências e de aventura, algo reconhecido e premiado internacionalmente, como é exemplo o galardão de “Melhor Destino Aventura 2024” (World Travel Awards). A ilha Graciosa, em particular, constitui um exemplo singular de convivência harmoniosa entre o Homem e a Natureza. Pelos seus valores naturais e a forma como a população interage com o meio de forma sustentável, a ilha foi classificada pela UNESCO como Reserva da Biosfera e integra também o Geoparque Açores. Estas duas designações refletem a importância da ilha, destacando-a como um dos poucos lugares do mundo onde se sobrepõem estas duas designações.

Caldeira da Graciosa. Gabi Pontes (AFAA)
Verdadeiramente inspirada na cultura e nos valores paisagísticos, geológicos e ambientais que estavam por explorar na Reserva da Biosfera, a configuração do traçado da “nova” Grande Rota da Graciosa atravessa os núcleos populacionais das 4 freguesias da ilha e tem o seu ponto inicial e final no centro da Vila de Santa Cruz, num percurso verdadeiramente circular, com cerca de 48 km de extensão, subdivididos em 3 etapas. Comparativamente ao traçado anterior, esta nova configuração permite o seguinte: distribuição dos fluxos turísticos, ao evitar a repetição de troços; a melhoria de condições para os stakeholders locais e melhoria geral dos serviços associados, ao haver novas oportunidades de alojamento, restauração e serviços; mitigação da sazonalidade, ao ser adicionada uma nova etapa e consequente aumento de tempo médio de estadia na ilha; preservação e valorização do património natural e cultural, com a adição de novos pontos de interesse e envolvimento de todas as entidades públicas locais, num projeto efetivamente de todos os graciosenses.

Caldeira da Graciosa. Gabi Pontes (AFAA)
Como pontos de interesse adicionais, a nova Grande Rota incorpora diversas estruturas ligadas à arquitetura popular rural, como os moinhos de vento, e estruturas ligadas à Arquitetura da Água, como tanques, nascentes, encanamentos e reservatórios, com destaque para o Reservatório do Atalho (1866) e possibilidade de visitação. Do ponto de vista natural, destaque para a Área Protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies da Ponta Branca, a Serra das Fontes e o Monte da Ajuda. Os motivos gastronómicos também estão sempre presentes ao longo das três etapas, com elementos diferenciadores como as queijadas, meloa, spirulina, alho ou o vinho verdelho.
Devido à sua extensão (cerca de 48 km) e ao facto de se desenvolver numa ilha com baixos índices de pluviosidade anuais, esta Grande Rota poderá constituir uma excelente opção para os amantes de caminhadas com vários dias de duração, durante todo o ano, sendo assim mais um fator contributivo para a redução da sazonalidade na ilha.
Autoria: Mário Mendes e Paulo Garcia